Chega marcha em Coimbra

134

O III congresso nacional do Chega, para discutir e votar as “balizas” de um eventual acordo de Governo com o PSD após as legislativas, começa hoje, em Coimbra com uma marcha pelas ruas da cidade.

A marcha parte, ao fim do dia, das proximidades da Universidade de Coimbra e termina junto ao túmulo de D. Afonso Henriques, “onde durante a campanha presidencial centenas de manifestantes cercaram a comitiva de André Ventura”, justificou a direção do Chega ao anunciar a iniciativa, em meados de maio.

O objetivo do desfile dos militantes é “corrigir a ideia de que Coimbra é anti-Chega”, após os acontecimentos de janeiro, e “marcar a ambição do partido em ser Governo nas próximas eleições”.

À noite, o congresso nacional terá a sua sessão de abertura, em que o presidente fará o primeiro dos quatro discursos previstos no programa oficial da reunião.

O segundo dia, sábado, é dedicado ao debate e votação das moções, setoriais e globais, e das propostas de alterações aos estatutos, ficando a noite dedicada às intervenções políticas de dirigentes e delegados.

No domingo, terceiro e último dia, serão eleitas a direção nacional, a mesa do congresso, o conselho nacional e o conselho de jurisdição nacional, estando ainda previsto o discurso do presidente da Liga, partido da extrema-direita italiana, Matteo Salvini.

André Ventura, que já chega a Coimbra líder, eleito em diretas, com 97,3% dos votos, mas em que escassos 11,5% dos perto de 28 mil militantes tinham as quotas em dia, encerra o congresso a meio da tarde de domingo.

Com uma moção intitulada “Governar Portugal”, Ventura afirmou que quer “perceber até que ponto o partido entende que deve ou não integrar um eventual governo de direita”.

Em declarações à agência Lusa, o deputado da direita populista assumiu que quer “pedir ao congresso balizas, limites para participação do Chega no governo”, e que tem como meta eleitoral para as próximas eleições legislativas conseguir “entre 10% e 15%” dos votos.

Em termos formais, o presidente do partido afirmou que essas “balizas” e “condições” irão a votos pelos delegados, através da sua moção e da eleição dos órgãos nacionais que vai propor ao congresso: “O Chega é um partido de governo e não um partido de protesto.”

Politicamente, André Ventura afirmou ser essencial uma “reforma da justiça”, em matérias polémicas como a prisão perpétua ou a castração química, para que exista um acordo, por exemplo, com o PSD.

A “pena de prisão perpétua” para a criminalidade grave, criminalidade sexual, crimes de sangue e terrorismo é uma das exigências desde “praticamente” a fundação do partido, mas também a castração química de pedófilos ou o fim do cúmulo jurídico “tal como se conhece”, exemplificou.

Ventura foi eleito presidente da direção nacional pela terceira vez em menos de três anos em eleições diretas realizadas em 06 de março, com 97,3% dos votos, mas apenas 11,5% dos perto de 28 mil militantes tinham as quotas regularizadas.

O fundador, militante n.º 1 e deputado único do Chega foi eleito pela primeira vez 30 de junho de 2019, em Algés (Lisboa), e demitiu-se em abril de 2020, justificando-o com a contestação interna devido à sua abstenção no parlamento sobre a renovação do estado de emergência em virtude da pandemia de covid-19.

Na II Convenção Nacional, em setembro de 2020, em Évora, foi reeleito, mas a direção que propôs só à terceira vez conseguiu a maioria de dois terços dos votos dos congressistas.

fonte: noticias de coimbra