Festa do Avante: “A DGS não toma decisões políticas, mas técnicas

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O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, que “a DGS não toma decisões políticas, mas técnicas”, quando questionado sobre a realização da Festa do Avante.

Decorreu esta segunda-feira a habitual conferência de imprensa relativa à atualização dos dados sobre a pandemia de covid-19 em Portugal, com a presença do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, e do subdiretor-geral da Saúde, Rui Portugal.MAIS TRÊS MORTES E 157 NOVOS CASOS DE COVID-19 EM PORTUGALVER MAIS

Lacerda Sales começou por referir que, dos casos ativos, encontram-se a recuperar no domicílio 97% e os restantes estão internados (0,2% nos cuidados intensivos), acrescentando que 73,1% das pessoas com covid-19 em Portugal já recuperaram. A taxa de letalidade global é de 3,3% e acima dos 70 anos é de 15,8%.

O secretário de Estado da Saúde destacou o facto de que a semana passada foi a semana com menor número de novas infeções desde março e que se confirma a tendência decrescente das últimas semanas. Regista-se ainda o menor número de internados desde 2 de março.

“São números que nos dão alento, mas que reforçam que é preciso continuar esta caminhada longa. No que toca a lares, que foram, são e continuarão a ser uma preocupação, temos casos ativos em 72 instituições, ou seja, 2% do universo total. São, em concreto, 545 utentes e 200 profissionais positivos nos lares. Temos de continuar a trabalhar em conjunto. Mais de 940 mil pessoas foram acompanhadas pelo Trace COVID. Continuamos a precisar do esforço de todos”, disse o secretário de Estado da Saúde.

Lacerda Sales referiu também que a aplicação StayAway Covid ainda não está disponível, uma vez que o diploma que a aprova ainda não foi publicado, apesar de já ter sido aprovado pelo Presidente da República. O secretário de Estado garantiu que a publicação está “por dias” e que em breve haverá novidades.

Sobre a Festa do Avante, Lacerda Sales afirmou que “a DGS não toma decisões políticas, mas técnicas”. “Iniciaram-se hoje as reuniões entre a DGS e a entidade organizadora, para avaliar o risco e contando com o pressuposto do cumprimento das regras sanitárias e com a colaboração da entidade promotora”, acrescentou.

Em relação à proposta de passar a utilizar máscaras de proteção também em espaços públicos abertos, o subdiretor-geral da Saúde, Rui Portugal, afirmou que “as evidências” quanto ao uso de máscara são, muitas vezes, contraditórias entre autores e é necessário fazer uma “avaliação ponderada e tecnicamente sólida”. “Não há decisões definitivas num momento de grandes incertezas como este. A DGS ouve os peritos e todas as entidades que possam contribuir para a melhoria e antecipação de todas as estratégias, que têm corrido bem”, esclareceu.

Acerca dos 164 surtos ativos no país, 41 surtos são na região Norte, 10 na região Centro, 84 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 13 no Alentejo e 16 no Algarve. “A situação dos surtos e a transmissão da doença alterou-se. Por exemplo, na região Centro, cerca de metade dos surtos tem origem familiar, ou seja, já não é uma questão de trabalho ou social, mas de convívio entre coabitantes e de família”. “Fica a mensagem para as famílias lembrarem-se que não é por estarem com familiares que não correm riscos”, alertou o subdiretor-geral da Saúde, salientando “a responsabilidade de proteger as diferentes gerações de cada uma das nossas famílias”.

Quanto aos lares, a situação que mais preocupa as autoridades neste momento é a do lar no Barreiro, com 31 utentes e 14 profissionais de saúde infetados. Na quarta-feira serão novamente testados todos os utentes que, da primeira vez, testaram negativo. Já no lar de Nossa Senhora da Luz, em Torres Vedras, há neste momento 74 pessoas infetadas, entre utentes e profissionais de saúde.

“Há programas a ser desenvolvidos, com maior intensidade, não só na questão das inspeções, mas também quanto à proteção dos funcionários e das comunidades”, disse Rui Portugal. “Estamos a ter melhores resultados, mas não podemos pensar que podemos alterar os comportamentos, mas sim reforçá-los. As visitas têm a ver com cada caso, portanto faz mais sentido fazer avaliações a nível regional do que tomar uma medida de caráter nacional”, explicou o subdiretor-geral da Saúde.

fonte:jn