Serra da Lousã: Verdes pedem explicações sobre marcação de árvores para abate

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O Partido Ecologista Os Verdes (PEV) questionou hoje o Governo sobre a “marcação indevida” de centenas de árvores para abate na Serra da Lousã.

Em comunicado, o Grupo Parlamentar do PEV informa que entregou na Assembleia da República uma interpelação escrita ao Ministério do Ambiente e da Ação Climática sobre a marcação pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) de árvores “que o próprio ICNF veio a classificar de ação indevida e extemporânea”.

“O ICNF já concluiu o inquérito realizado para apurar responsabilidades da marcação de árvores para abate na Serra da Lousã?”, pergunta.

Os ecologistas recordam que, nos fins de setembro, “foi denunciado que centenas de árvores (…) foram marcadas pelo ICNF para abate”.

“Todavia, em comunicado, o próprio ICNF referiu tratar-se de uma ação indevida e extemporânea, tendo por isso sido determinado a abertura de um inquérito para apurar as responsabilidades”, segundo a nota.

Os Verdes querem saber “por que motivo e quando foram marcadas centenas de árvores, numa área que já não integrava a faixa de interrupção de combustíveis da rede primária”.

“Tendo em consideração que a Serra da Lousã integra a rede de Sítios de Importância Comunitária, o ICNF tem realizado ações de monitorização na área da Rede Natura 2020 de forma a detetar, entre outros, cortes indevidos ou inapropriados de árvores que afetam e contribuem para a degradação do respetivo ecossistema?”, indagam.

Citando o ICNF, o PEV lembra que “o local em causa foi originalmente identificado para integrar a faixa de interrupção de combustíveis” da rede primária.

“No entanto, face à identificação das características ecológicas do local e dos valores em presença, em janeiro de 2020 foi proposto por este instituto ao município da Lousã a alteração do traçado previsto”, adianta.

No dia 24 de setembro, o ICNF revelou que “a proposta de alteração foi aprovada pela Comissão Municipal de Defesa da Floresta da Lousã, em maio de 2020, estando nesta fase em conclusão o referido processo de alteração de traçado”, faltando ainda a sua publicação.

“Caso esta marcação não tivesse sido denunciada, possivelmente traduzir-se-ia num abate irreversível de árvores, numa área com grande valor ecológico (…) que integra a rede Natura 2000, a juntar-se aos tantos abates que têm sido levados a cabo por particulares, como é o caso do corte raso de árvores no Talasnal [povoação serrana que integra a rede turística Aldeias do Xisto], onde se previa o desbaste massivo de 40 hectares de pinheiros e de castanheiros”, refere o PEV, no documento em que pede esclarecimentos ao Ministério do Ambiente.

fonte:noticias de coimbra